Aliansce Sonae
Fabio Moraes, superintendente de TI da Aliansce Sonae, analisa transformações tecnológicas impulsionando experiências de consumo e habilitando ecossistemas de negócios
Na sua visão, como a TI transformou a sociedade brasileira nos últimos 25 anos?
Apesar de o Brasil ter uma velocidade mais baixa na adoção das tecnologias digitais frente a outros países, somos afetados e vivemos essa transformação na pele, em nosso dia a dia. Em linhas gerais, a sociedade mudou muito. Negócio mudaram, a forma como as pessoas se relacionam com o mercado de consumo, as relações de trabalho, a cadeia produtiva. Praticamente tudo mudou. E isso aconteceu de maneira mais intensa nos últimos dez anos. Pessoas e empresas estão muito mais conectadas, com acesso à informação, que está nas mãos de todo mundo.
Do ponto de vista de indústria, o que depende de produção, a Quarta Revolução Industrial, a forma como bens são produzidos, afeta a capacitação das pessoas, que precisam entender como tarefas podem ser executadas de forma mais automatizada e sustentável. Exigindo uma formação que vai além da técnica e faz surgir novas profissões.
Os serviços também mudaram bastante, o que culminou com uma relação de consumo, que não depende mais exclusivamente do contato pessoal. Isso permitiu que negócios se transformassem a partir da tecnologia. A relação digital mudou paradigmas. A agilidade trouxe oportunidade, confiança. Do outro lado, há questões de regulamentação e segurança, que todo o mercado vem se adaptando.
A internet e a mobilidade mudaram a forma como vivemos, trabalhamos, nos divertimos... qual é a importância e que tipo de inovações a conectividade habilita no setor em que sua empresa atua?
Essa relação do consumidor com as tecnologias mudou completamente a forma como um shopping center se posiciona no mercado. Antes, tratava-se mais de um negócio onde, basicamente, havia a comercialização de um espaço físico para o varejo. Agora, o shopping, além de um oásis urbano, virou um negócio de experiência. É um local que liga pessoas a empresas e serviços. Se pensarmos bem, em volta do consumidor e lojistas, que são os grandes atores desse segmento, existe um ecossistema digital absurdo, que passa por empresas como Uber, iFood e Airbnb, mobile banking... e muitas outras que, às vezes, nem percebemos. Como o shopping se insere nesse contexto? Oferecendo a experiência física e ligando esse mundo todo, aproximando esses serviços digitais em uma experiência integrada, conectada e fluida. É um ecossistema de conveniência digital. Na outra ponta, as tecnologias, especialmente mobile e internet, permitem não só gerar essa experiência, mas nos abastecer com informações para entendermos padrões e oferecermos um mix de serviços e produtos mais atrativos, direcionando o negócio. Ela nos dá capacidade e escala para sermos parceiros estratégicos dos lojistas.
Qual é a sua expectativa sobre o futuro das tecnologias digitais no Brasil? Que oportunidades isso abre a sociedade/empresas brasileiras? Oportunidades já chegaram, algumas ainda timidamente. Vemos varejos transformando-se a partir da combinação com do mundo físico com o digital. Essa ideia de não haver fronteiras entre físico e digital é fundamental. No segmento de shoppings, os mercados avançam por meio de parcerias, permitindo que as coisas se complementem. Os negócios convergem e se somam, habilitando novas oportunidades a partir da integração digital. Um exemplo disso é a combinação de serviços de delivery com shopping centers. A interação digital viabiliza essa combinação. E o futuro é a combinação de negócios tradicionais com novos empreendimentos, para que surjam combinações que se complementem. As empresas não competem por share, mas avançam em volume e experiência para o cliente, gerando mais oportunidades para ambas as partes.
Como a Cisco vem apoiando a transformação digital da sua empresa e o que você espera dos próximos anos em relação a sua parceria com a Cisco?
Primeiro com integração de rede, para que a conectividade aconteça. Sem conectividade, hoje, a vida dos negócios é nada. Então, é um tema que não podemos errar nunca. Outro ponto fundamental é segurança, uma vez que dados são ativos preciosos. Falando em termos bem práticos, hoje somos uma empresa passando por um período de fusão, que não aconteceria na velocidade que está acontecendo sem uma plataforma de colaboração. Outra camada, toca a tração com o consumidor, que é conexão Wi-Fi ajudando a capturar o comportamento indoor e outdoor. Além disso, no futuro próximo, vemos toda a parte de IoT para gestão de ativos, com equipamentos mais conectados. É um movimento que vem a partir da massificação da tecnologia.